terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Casas Derivadas a partir da Casa 1

 Casas Derivadas a partir da Casa 1

Um mapa dentro do mapa — o fio oculto das questões

As casas derivadas sempre despertaram debates e controvérsias na Astrologia, sobretudo pela falta de consenso entre astrólogos quanto ao conteúdo exato das casas. Ainda assim, quando utilizadas com critério, sensibilidade e no momento certo, revelam-se uma ferramenta poderosa, especialmente na Astrologia Horária — aquela que trabalha com o mapa erguido no instante da pergunta, buscando no próprio céu o caminho da resposta.

As casas derivadas permitem mudar o ponto de referência do mapa, observando como uma determinada casa se comporta quando é tomada como se fosse a Casa 1.
É como girar o mapa e perguntar: “Se este assunto fosse o centro da vida, o que emergiria a partir dele?”

Esse recurso ajuda a desenrolar o fio da meada quando a questão é complexa e envolve pessoas, objetos ou situações que não são diretamente representadas pela Casa 1 original.
Como funciona o raciocínio

A Casa 1 representa sempre o ponto de partida, o sujeito, o foco central.
Quando tomamos outra casa como se fosse a Casa 1, passamos a observar as casas seguintes como derivações dela.


A seguir, alguns exemplos clássicos e úteis de leitura simbólica.

Casa 1 como a Casa 2 da Casa 12
Casa 12 tomada como Casa 1 

  • Refere-se aos valores, recursos e posses ligados aos temas da Casa 12:
  • objetos de valor espiritual ou religioso;
  • tesouros ocultos, posses escondidas, dinheiro não declarado;
  • dívidas ocultas;
  • perdas, desaparecimentos;
  • forma de valorizar inimigos ocultos;
  • dinheiro gasto com hospitalizações, retiros, clausuras, instituições fechadas.

Casa 1 como a 3 da Casa 11

  • Relaciona-se ao entorno imediato dos amigos:
  • irmãos, parentes, vizinhos dos amigos;
  • estudos, aprendizagens e comunicações dos amigos.

Casa 1 como a 4 da Casa 10

  • Diz respeito às raízes e à base da autoridade:
  • a mãe ou a família do pai;
  • o pai ou a família da mãe;
  • a profissão do pai ou da mãe;
  • o alicerce emocional e familiar da carreira.

Casa 1 como a 5 da Casa 9

  • O que é criado a partir do saber elevado:
  • filhos de mestres ou professores;
  • filhos de estrangeiros;
  • criações que nascem dos estudos superiores;
  • frutos de viagens ao exterior;
  • o que se gera a partir da prática religiosa, ideológica ou filosófica;
  • sobrinhos do parceiro;
  • criatividade dos netos;
  • bisnetos.

Casa 1 como a 6 da Casa 8

  • O trabalho e a saúde ligados às crises e perdas:
  • saúde de pessoas íntimas;
  • saúde dos relacionamentos íntimos;
  • trabalho necessário para se recuperar de perdas;
  • recursos práticos para sair de crises profundas.

Casa 1 como a 7 da Casa 7

  • O espelho relacional:
  • como somos vistos por parceiros, rivais e oponentes declarados;
  • como estamos impactando o parceiro ou a parceira;
  • a percepção do outro sobre a relação.

Casa 1 como a 8 da Casa 6

  • Transformações no cotidiano:
  • perdas no dia a dia;
  • mudanças de dieta;
  • doenças, morte ou heranças envolvendo empregados, colegas, servidores e animais domésticos;
  • envolvimento sexual ou íntimo com pessoas do ambiente de trabalho.

Casa 1 como a 9 da Casa 5

  • Expansão da experiência dos filhos e da criação:
  • mestres dos filhos;
  • crenças dos filhos;
  • viagens dos filhos;
  • estudos superiores dos filhos;
  • ética, moral e visão de mundo dos filhos.

Casa 1 como a 10 da Casa 4

  • A projeção social da família:
  • profissão da mãe e do pai;
  • status social do pai e da mãe;
  • visibilidade pública da família.

Casa 1 como a 11 da Casa 3

  • Projetos e redes do entorno próximo:
  • amigos de irmãos, parentes e vizinhos;
  • projetos de vida dessas pessoas;
  • aspirações coletivas do círculo próximo.

Casa 1 como a 12 da Casa 2

  • O valor do invisível:
  • o que se perde sem explicação aparente;
  • o valor espiritual do que se possui;
  • impedimentos para usar bens e recursos;
  • desapegos forçados ou inconscientes.

As casas derivadas não substituem a leitura tradicional do mapa, mas a aprofundam.
Quando bem aplicadas, elas ampliam a capacidade do astrólogo de responder perguntas específicas, especialmente na Astrologia Horária e em questões que envolvem terceiros, bens, heranças, relações indiretas e situações ocultas.

Trata-se de uma técnica que pede maturidade simbólica, clareza de intenção e respeito ao mapa. Usada com consciência, ela revela camadas ocultas da realidade — e ajuda a vida a falar com mais precisão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Colaboradores