Casas Derivadas a partir da Casa 1
Um mapa dentro do mapa — o fio oculto das questões
As casas derivadas sempre despertaram debates e controvérsias na Astrologia, sobretudo pela falta de consenso entre astrólogos quanto ao conteúdo exato das casas. Ainda assim, quando utilizadas com critério, sensibilidade e no momento certo, revelam-se uma ferramenta poderosa, especialmente na Astrologia Horária — aquela que trabalha com o mapa erguido no instante da pergunta, buscando no próprio céu o caminho da resposta.
As casas derivadas permitem mudar o ponto de referência do mapa, observando como uma determinada casa se comporta quando é tomada como se fosse a Casa 1.
É como girar o mapa e perguntar: “Se este assunto fosse o centro da vida, o que emergiria a partir dele?”
Esse recurso ajuda a desenrolar o fio da meada quando a questão é complexa e envolve pessoas, objetos ou situações que não são diretamente representadas pela Casa 1 original.
Como funciona o raciocínio
A Casa 1 representa sempre o ponto de partida, o sujeito, o foco central.
Quando tomamos outra casa como se fosse a Casa 1, passamos a observar as casas seguintes como derivações dela.
A seguir, alguns exemplos clássicos e úteis de leitura simbólica.
Casa 12 tomada como Casa 1
- Refere-se aos valores, recursos e posses ligados aos temas da Casa 12:
- objetos de valor espiritual ou religioso;
- tesouros ocultos, posses escondidas, dinheiro não declarado;
- dívidas ocultas;
- perdas, desaparecimentos;
- forma de valorizar inimigos ocultos;
- dinheiro gasto com hospitalizações, retiros, clausuras, instituições fechadas.
Casa 1 como a 3 da Casa 11
- Relaciona-se ao entorno imediato dos amigos:
- irmãos, parentes, vizinhos dos amigos;
- estudos, aprendizagens e comunicações dos amigos.
Casa 1 como a 4 da Casa 10
- Diz respeito às raízes e à base da autoridade:
- a mãe ou a família do pai;
- o pai ou a família da mãe;
- a profissão do pai ou da mãe;
- o alicerce emocional e familiar da carreira.
Casa 1 como a 5 da Casa 9
- O que é criado a partir do saber elevado:
- filhos de mestres ou professores;
- filhos de estrangeiros;
- criações que nascem dos estudos superiores;
- frutos de viagens ao exterior;
- o que se gera a partir da prática religiosa, ideológica ou filosófica;
- sobrinhos do parceiro;
- criatividade dos netos;
- bisnetos.
Casa 1 como a 6 da Casa 8
- O trabalho e a saúde ligados às crises e perdas:
- saúde de pessoas íntimas;
- saúde dos relacionamentos íntimos;
- trabalho necessário para se recuperar de perdas;
- recursos práticos para sair de crises profundas.
Casa 1 como a 7 da Casa 7
- O espelho relacional:
- como somos vistos por parceiros, rivais e oponentes declarados;
- como estamos impactando o parceiro ou a parceira;
- a percepção do outro sobre a relação.
Casa 1 como a 8 da Casa 6
- Transformações no cotidiano:
- perdas no dia a dia;
- mudanças de dieta;
- doenças, morte ou heranças envolvendo empregados, colegas, servidores e animais domésticos;
- envolvimento sexual ou íntimo com pessoas do ambiente de trabalho.
Casa 1 como a 9 da Casa 5
- Expansão da experiência dos filhos e da criação:
- mestres dos filhos;
- crenças dos filhos;
- viagens dos filhos;
- estudos superiores dos filhos;
- ética, moral e visão de mundo dos filhos.
Casa 1 como a 10 da Casa 4
- A projeção social da família:
- profissão da mãe e do pai;
- status social do pai e da mãe;
- visibilidade pública da família.
Casa 1 como a 11 da Casa 3
- Projetos e redes do entorno próximo:
- amigos de irmãos, parentes e vizinhos;
- projetos de vida dessas pessoas;
- aspirações coletivas do círculo próximo.
Casa 1 como a 12 da Casa 2
- O valor do invisível:
- o que se perde sem explicação aparente;
- o valor espiritual do que se possui;
- impedimentos para usar bens e recursos;
- desapegos forçados ou inconscientes.
As casas derivadas não substituem a leitura tradicional do mapa, mas a aprofundam.
Quando bem aplicadas, elas ampliam a capacidade do astrólogo de responder perguntas específicas, especialmente na Astrologia Horária e em questões que envolvem terceiros, bens, heranças, relações indiretas e situações ocultas.
Trata-se de uma técnica que pede maturidade simbólica, clareza de intenção e respeito ao mapa. Usada com consciência, ela revela camadas ocultas da realidade — e ajuda a vida a falar com mais precisão.
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